Entrevistas
Entrevista: Sidney Latorre - Reitor do Centro
Universitário Senac – Campus Santo Amaro
O
Senac Campus Santo Amaro – São Paulo é o anfitrião da II
Conferência Internacional – “Inovação para o Terceiro
Setor: Sustentabilidade e Impacto Social”, que ocorre
nos dias 6, 7 e 8 de agosto. O Reitor da entidade,
Sidney Latorre, fará a abertura no primeiro dia do
evento e destaca o envolvimento do Senac com os
objetivos da Conferência: o compartilhamento das
melhores práticas e experiências.
1) A missão do Senac é proporcionar o desenvolvimento de
pessoas e organizações para a sociedade do conhecimento,
por meio de ações educacionais comprometidas com a
Responsabilidade Social. Qual o envolvimento da entidade
com o objetivo da Conferência, que seria o
compartilhamento das melhores práticas e modelos
inovadores entre as organizações sociais?
O Senac São Paulo tem apoiado, nos últimos anos,
iniciativas de organizações que fortaleçam o chamado
terceiro setor. Também desenvolve projeto de capacitação
de líderes de organizações sociais, em ferramentas de
gestão e elaboração de projetos de desenvolvimento
comunitário. Apoiamos, atualmente, uma rede com mais de
700 organizações distribuídas pelo estado de São Paulo
e, entre outras ações, realizamos Fóruns de
Desenvolvimento Local, periodicamente, em mais de 35
cidades cujo objetivo é compartilhar experiências,
aprofundar temáticas voltadas para o desenvolvimento e
implementar projetos que melhorem a vida e o convívio
das comunidades onde atuamos.
2) Até 2010, o Senac São Paulo será reconhecido como
referência de organização educacional e do terceiro
setor, diferenciada pela ação inovadora, diversificada e
socialmente solidária. São muitos os casos de sucesso da
entidade?
Nos últimos
10 anos, o Senac São Paulo capacitou 35 mil jovens para
o mundo do trabalho e uma pesquisa recente aponta que
após um ano do término do programa 57% dos jovens estão
empregados. O Programa “Formatos Brasil” que tem o
objetivo de desenvolver lideranças em ferramentas de
gestão, beneficiou mais de 3 mil pessoas de
2003 a
2008 e possibilitou, entre outros, a elaboração de
projetos sustentáveis para as organizações sociais.
Esses projetos fortalecem o trabalho da Rede Social que
implementa aproximadamente 100 projetos de
desenvolvimento social por ano e que conta com uma
metodologia diferenciada e inovadora em desenvolvimento
local. Até o final do ano serão 35 projetos de
desenvolvimento em 35 bairros no estado de São Paulo. Os
detalhes e mais informações sobre os estão disponíveis
no site
www.sp.senac.br/redesocial
3) Dentro das políticas da parte de Responsabilidade
Social do Senac, como se dá e o que se espera do
relacionamento com Organizações Sociais?
O nosso relacionamento se dá na capacitação das
organizações para melhor gerirem seus projetos e suas
organizações e na elaboração e implementação de projetos
de desenvolvimento local. O planejamento desse trabalho
acontece em encontros específicos da Rede Social
estabelecida ou ainda nos espaços do Fórum do
Desenvolvimento Local.
4) Qual o histórico de relacionamento entre o Senac e
outras Organizações Sociais?
O Programa Rede Social foi iniciado, em 1998, com um
grupo de 20 pessoas da zona leste da cidade de São
Paulo. Hoje, são mais de 700 organizações e, com
certeza, esse crescimento é fruto da confiança gerada
pelo trabalho consistente e colaborativo com as redes.
5) O Senac é uma instituição de educação profissional
aberta a toda a sociedade, que oferece cursos à
sociedade civil. Qual o retorno das empresas que apóiam
a iniciativa do Terceiro Setor, principalmente na área
educacional?
Um dos principais retornos é a aprendizagem. Uma
organização que promove o desenvolvimento, também se
desenvolve. Nossa ação se multiplicou nos últimos
tempos, não por conta dos investimentos em recursos
financeiros diretos que aportamos ao terceiro setor, mas
por termos investido na capacidade das pessoas
produzirem e trabalharem
em rede. As organizações sociais que
fazem parte dessa grande rede social constantemente
reforçam a importância do projeto e a diferença e o
impacto social causados por ele.
6) Como o Senac concretiza suas parcerias, seja com o
terceiro, o segundo ou o primeiro setor?
O Senac São Paulo busca firmar parcerias com os diversos
setores da economia, por meio da assinatura de acordos
de cooperação com entidades nacionais e internacionais,
cuja credibilidade de marca é reconhecida em seus
mercados de atuação. As parcerias podem ser bilaterais
ou multilaterais, onde as partes envolvidas somam,
aportam e mobilizam recursos necessários para atingir os
objetivos educacionais e sócio-ambientais estabelecidos
nos acordos de cooperação. A experiência do Senac São
Paulo tem demonstrado que os acordos de cooperação
baseados em projetos apresentam melhores resultados, uma
vez que todas as metas, atividades, responsabilidades,
cronogramas de entrega e investimentos são previamente
negociados entre as partes. Os benefícios obtidos com
essas parcerias são refletidos diretamente no
desenvolvimento profissional das equipes envolvidas
nesses projetos, no aprimoramento pedagógico e
tecnológico de produtos e serviços educacionais
oferecidos pela instituição e no reconhecimento dos
alunos formados pelo Senac São Paulo pelo mercado de
trabalho, em âmbito nacional e internacional.
7) Como o Senac contribui de forma pró-ativa no
desenvolvimento social das comunidades que atua e de
toda a sociedade?
Compartilhando metodologias, capacitando líderes
comunitários e principalmente planejando e implementando
conjuntamente, com a sociedade, ações e projetos para o
benefício de todos.
8) O Sr. Já trabalhou em várias empresas privadas. Há
algum tipo de diferença quando se inicia um trabalho no
terceiro setor?
Acredito que a principal diferença seja o número maior
de interlocutores. Em um projeto de rede social, nos
moldes em que atuamos, não existe apenas um “cliente
final”, mas sim uma articulação efetiva de interesses
entre partes para a construção de um cenário de retorno
social relevante.
No mais, o profissionalismo e a organização devem ser os
mesmos que em qualquer atividade da iniciativa privada,
com metas, cronogramas e enfim o planejamento e
operacionalização adequados para se obter sucesso e
resultados positivos.
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